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 Revista Viração e Projeto Agente Jovem (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)

MV Bill defende união da sociedade
para melhorar o Brasil

02/fev

Carina Vitral Costa - Agência ViraJovem - "Eu passei para o outro lado, porque do outro lado da arma existe um coração batendo". A frase, de MV Bill, foi dita numa Coletiva de Imprensa no último dia 28, sobre a Central Única das Favelas (CUFA), uma ong tocada por ele juntamente com jovens do movimento Hip-Hop, sambistas, artistas, lideranças comunitárias, Presidentes de Associações de Moradores e trabalhadores em geral, de diversas comunidades do Rio de Janeiro. Nega Gizza, que também era esperada pela imprensa, não pôde comparecer.

Lendo com o rap, Núcleo de vídeo da CUFA, Semana Hutús, Oficinas de graffiti e Espaço Alternativo de Entretenimento Comunitário são apenas alguns projetos da organização. "Em relação ao tráfico, ao mesmo tempo que eu consegui tirar um, eu vejo 15 entrarem! Na CUFA tiramos e perdemos jovens para o tráfico, mas se tornou algo positivo porque permite que eles se expressem", afirmou.

O carro chefe da CUFA é o Núcleo de Vídeos que, segundo o rapper, tem muitas despesas com equipamentos. Tudo financiado pelo dinheiro de shows do cantor. "Não uso minha fama para dar autógrafo, uso para agendar uma reunião com o Lula, por exemplo, e levar mais jovens comigo", disse MV Bill ao falar sobre o dia que foi recebido por Lula acompanhado de uma comissão formada pelo movimento para discutir uma maneira do hip hop ser mais valorizado, respeitado e participar do processo político do Brasil.

O rapper produziu um clipe de 11 minutos chamado "Soldados do Morro", sobre os meninos envolvidos com o tráfico nas favelas, mas a repercussão foi negativa. O cantor foi chamado de marginal, delinquente e até hoje responde processos por apologia ao crime, às armas e ao tráfico de drogas.

Não satisfeito com isso, MV Bill começou a produzir um documentário de 190 a 200 minutos onde retrata a vida de 40 jovens. "A mídia mostra alguma coisa sobre o crime, mas nada além das armas. Eu passei para o outro lado, porque do outro lado da arma existe um coração batendo", afirmou.

Um mês depois das filmagens, 15 dos 16 jovens que narravam o documentário morreram. Em entrevista, o único sobrevivente, que era considerado o mais frio, disse que o maior sonho da vida dele era ser palhaço e que sua maior mágoa era sua mãe ter morrido antes de cumprir sua promessa: levá-lo ao circo do Beto Carreiro.

Bill o levou ao circo e viu nele novamente uma criança. O garoto o prometeu que quando fizesse 18 anos ia largar a vida do tráfico, mas no seu aniversário chorou para o rapper, assumindo que não conseguiria cumprir sua promessa. "Ele estava na minha frente chorando, e eu estava chorando por dentro em saber que eu não tinha poder de mudar aquela situação!", contou emocionado.

Quando indagado sobre "Cidade de Deus", comentou que o filme não foi gravado na favela, porque os moradores não deixaram, então eles foram filmar em outro lugar. "Pessoas de 70, 80 anos que nunca foram ao cinema, tiveram suas vidas retratadas num filme e sequer puderam assisti-lo. Enquanto o filme estava prestes a ganhar o Oscar, a favela estava prestes a ganhar o Oscar da violência", comentou MV Bill reclamando que não houve nenhuma contrapartida à comunidade da parte da produção.

Sobre as cotas para negros nas universidades o rapper disse que gostaria que houvesse outra solução, mas por enquanto não vê outra solução. Ele afirmou ainda que as cotas são imediatistas, mas vão incluir bastante gente ao sistema público das universidades. "Muito mais humilhante que entrar na universidade por cotas, é ver um bando de pretos fora dela", observou o cantor.

O rapper disse ainda que se orgulha muito do encaminhamento do Hip-Hop no Brasil e que ele está caminhando para um rap genuinamente brasileiro. "Lula não vai salvar o Brasil sozinho, ele precisa de você, de mim, de todos nós!", encerrou a entrevista sob muitos aplausos.

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Agência ViraJovem de Notícias - Cobertura do V Fórum Social Mundial - Porto Alegre 2005
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