Revista Viração


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Revista
Viração e Projeto Agente Jovem (Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome)
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Fórum defende comunicação "livre, independente e verdadeira"
25/jan -16h30
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Cristiane Parente - Agência ViraJovem -
Uma nova comunicação é
possível. A idéia, que faz eco ao lema do V Fórum Social Mundial (FSM)
de que um outro mundo é possível, deu o tom do I Fórum Mundial de
Informação e Comunicação. O evento aconteceu um dia antes do
início do V FSM, em Porto Alegre.
Debaixo de uma grande tenda branca na Usina do Gasômetro, sacudida
pela ventania que deu descanso ao calor de 40 graus dos últimos dias
na capital gaúcha, jornalistas - norte-americanos, italianos,
brasileiros, canadenses,argentinos e africanos, só para citar algumas
nacionalidades - formavam uma verdadeira torre de babel em busca da
compreensão dos principais problemas que afligem a mídia
contemporânea.
Por que os meios de comunicação no sistema democrático não estão
fazendo uma cobertura mais crítica? Por que a informação hoje se
converte numa mercadoria e tem se curvado à indústria do espetáculo em
detrimento da representação da realidade?
As questões levantadas pelo diretor do jornal Le Monde Diplomatique,
Ignacio Ramonet, nortearam boa parte dos debates ao longo do
dia. Segundo Ramonet nos encontramos hoje numa situação de "ignorância
informacional", sem saber se podemos confiar no que lemos, se o que
está escrito é verdade ou será desmentido no dia seguinte.
Para o italiano Giulietto Chiesa,do Parlamento Europeu, os movimentos
sociais precisam atuar junto com os jornalistas em direção a uma mídia
mais independente. "Um jornalista sozinho, uma mídia alternativa
sozinha, não consegue mudar nada", afirmou Chiesa, que defendeu a
transformação da produção da mídia independente, para poucos, num
grande movimento forte e organizado em favor da democratização e
socialização da informação, além de um novo tipo de educação voltada
para os meios.
"Temos que aprender a fazer o que não fizemos antes. Temos que ter
ousadia". Chiesa também estimulou a luta contra a privatização e
os canais oficiais de TV, que decidem a agenda de discussões do dia.
"Temos que inventar uma nova vacina contra essa doença louca chamada
TV", disparou.
Ele defendeu ainda uma aliança entre jornalistas e produtores de
publicidade e entretenimento em direção a informações e programações
de qualidade. A atuação dos movimentos sociais também foi analisada
pelo teórico belga Armand Mattelart, que ressaltou a necessidade de
uma conceituação e formalização de suas atividades."É preciso uma
tomada de distância para analisar melhor o que está sendo
feito",afirmou. O pensador destacou ainda a importância da semiótica
como forma de se analisar como as palavras têm servido para reforçar o
sentido de "Ordem Total" e alertou para a relevância da sociedade
fazer as perguntas corretas: "Queremos um outro mundo, mas que mundo é
esse?", provocou.
A necessidade de se pensar estratégias de comunicação inovadoras para
conseguir chegar a diferentes públicos foi ressaltada por Marcelo
Furtado, do Greenpeace, que defendeu uma aproximação maior entre os
diversos movimentos sociais e os jornalistas.
Ele também fez uma crítica à falta de profundidade das matérias
causada, entre outros fatores, pela substituição de profissionais mais
experientes, especialistas em determinados temas, por recém-formados e
sugeriu que as organizações realizassem palestras ou cursos que
pudessem ajudar na formação dos profissionais da mídia e melhoria da
cobertura.
O ativista aproveitou ainda para provocar a platéia formada por cerca
de 300 jornalistas: Por que a mídia brasileira não fala sobre as
intenções do governo Lula de reativar seu programa nuclear? Por que há
cadernos especializados em política e economia e não em meio ambiente?
Os debates que seguiram até o final da tarde, também tiveram as
participações de Mario Lubetkin, diretor geral da Agência de Notícias
IPS (Inter Press Service),como moderador; Steve Buckley,presidente da
AMARC e Patrice Barrat, presidente da ArticleZ, entre outros.
O I Fórum Mundial de Informação e Comunicação foi organizado pela IPS,
pelo Le Monde Diplomatique e pelo Media Watch Global (MWG),
representado no Brasil pelo Observatório Brasileiro de Mídias. Uma de
suas metas é criar uma rede mundial de jornalistas e meios de
comunicação tendo em vista a democratização e a qualidade da
informação.
Serviço
O V Fórum Social Mundial começa amanhã,em Porto
Alegre. Para ver a programação basta acessar o site:
www.forumsocialmundial.org.br
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