Revista Viração


|
Realização:
|
|
Revista
Viração e Projeto Agente Jovem (Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome)
|
AL precisa de união para acabar com a violação dos direitos da
criança
27/jan -23h35 |
Mayra Pontes - Agência ViraJovem
- “Um mundo melhor não é possível sem a
participação das crianças e dos adolescentes". Essa foi a conclusão do
adolescente peruano Emílio Solis na atividade "Direitos Humanos de
Crianças e Adolescentes na América Latina: análise e perspectiva",
promovida pela Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e
do Adolescente – ANCED. A oficina aconteceu na tarde de hoje e reuniu
aproximadamente 300 pessoas de vários países.
A discussão teve como diferencial a participação de três adolescentes
do Peru, da Índia e da Colômbia que apresentaram a realidade da
infância em seus países. Participaram ainda representantes das
coalizões - redes de ONG's que trabalham em defesa dos direitos da
criança, do Brasil, da Argentina, do Uruguai, do Paraguai e do Chile.
Todos os palestrantes destacaram a situação geral de violação aos
direitos infanto-juvenis na América Latina. Alguns países, como a
Argentina, ainda não possuem uma legislação especial para crianças e
adolescentes, apesar da Convenção estar completando 15 anos em 2005.
Outros possuem uma legislação específica, como o Estatuto da Criança e
do Adolescente (ECA), no Brasil, mas ainda não conseguem tirar a lei
do papel.
Para Renato Roseno, coordenador da ANCED e representante da coalizão
brasileira, os países da América Latina apresentam problemas comuns de
violação dos direitos da criança, por isso o enfrentamento deve ser em
conjunto. "A violência da drogadição, da pobreza, da educação são
temas de toda a América Latina. É necessário agir também de forma
continental. As organizações não podem mais ficar cada uma em seu país
sem promover diálogo", defendeu.
Violação aos direitos das crianças é cada vez mais freqüente
A Redlamyc (Red latino americana y caribeña por la defensa de
los derechos de los niños, niñas y adolescentes) também participou da
primeira atividade sobre direitos humanos para esse público, promovida
no V FSM 2005, pela Associação Nacional dos Centros de Defesa da
Criança e do Adolescente – ANCED.
Representada pelo uruguaio Jorge Freyre, diretor da ONG Gurises
Unidos, a Redlamyc é formada por membros da sociedade civil, crianças
e adolescentes e tem com objetivo monitorar o cumprimento da Convenção
dos Direitos das Crianças.
Agência ViraJovem de Notícias - Como está sendo realizado o
trabalho da Redlamyc?
Jorge Freyre - Neste momento, há duas realidades. Uma realidade
positiva é que em vários países da América Latina e do Caribe estão
sendo criadas redes em defesa dos direitos das crianças e dos
adolescentes. Alguns países possuem várias redes e não apenas uma, mas
depende de cada lugar.
A internet vem sendo muito utilizada para fortalecer essa rede,
compartilhar realidades e fazer denúncias de situações de desrespeito
aos direitos. Isso é positivo porque as sociedades estão desejando
trasnformar as realidades através da pressão e da ação de todos em
conjunto. Vários documentos nacionais e internacionais sobre a
infância já foram elaborados.
AVJ - E qual é o aspecto negativo?
Jorge - O elemento negativo que estamos vivendo é que a situação
das crianças da nossa região, apesar de toda a mobilização da
sociedade civil, está cada vez pior. A pobreza está cada vez maior e o
desrespeito aos direitos é cada vez mais flagrante. Acreditávamos que
para mudar a situação bastaria que cada país criasse um estatuto da
criança, com base na Convenção. Hoje isso está mudando porque mesmo
com a convenção estão sendo aprovadas leis que são contrárias aos
direitos das crianças e dos adolescentes.
AVJ - Então, mesmo com uma mobilização da sociedade, a situação das
crianças e dos adolescentes está piorando?
Jorge - Acho que nós temos que duplicar a força de trabalho. Temos
que encontrar estratégias mais diretas de intervenção que possam
pressionar e transformar a situação. Eu acho que a rede vem crescento
há poucos anos.
Para haver uma transformação é preciso que a sociedade civil, os
adolescentes e as crianças unam-se cada vez mais e que a
democratização da informação seja real. Informação é poder e é preciso
que todos possam contar com esse poder. A situação está piorando, mas
estamos em uma região, diferente de outros locais do mundo, onde é
possível nos unirmos para transformá-la.
AVJ - Como a sociedade uruguaia vê a luta pelos direitos da
criança?
Jorge - A situação do Uruguai vem decaído muito. Neste momento
praticamente 60% das crianças que nascem no país pertencem a famílias
que estão abaixo da linha de pobreza. Isso faz com que a visibilidade
da situaçao da pobreza seja mais forte em todo o país. Os uruguaios
estão mais sensíveis e querem mudar. As redes de ONG's do Uruguai
estão fazendo força para que as metodologias adequadas para a defesa
sejam aplicadas.
Por exemplo, em 2004, o Estatuto da Criança e do Adolescente do
Uruguai foi aprovado. Nós tínhamos um estatuto de 1934. Acho que os
uruguaios estão realmente começando a ficar mais sensíveis.
|
|
Topo
Lista de notícias
Página inicial |
|