Mônica Mourão - Agência ViraJovem
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O movimento brasileiro de Hip Hop, existente há 25 anos, aproveitou a
oportunidade do V FSM para realizar o II Fórum Nacional de Hip Hop.
Vindo dos Estados Unidos, o Hip Hop apresentou especificidades ao
chegar no Brasil. Segundo Carla Xavier, arte-educadora e organizadora
do Fórum, enquanto o Hip Hop americano é voltado para o mercado, o
brasileiro mostra preocupação social.
Ela conta que o movimeto cobra uma mudança de postura dos grupos que
"falam mal" de mulheres ou fazem apologia às drogas, por exemplo.
De acordo com Carla, que tem 30 anos e milita na causa desde os 15, o
Hip Hop é uma cultura de resistência, o contemporâneo da luta do povo
negro. "Se outro mundo é possível, é preciso discutir também, com a
juventude do Hip Hop, política pública para a periferia", disse. Para
ela, "o Hip Hop é a liga do abismo. Ele liga o que tem de mais bruto
na periferia com essa realidade toda que está aí".
O Fórum de Hip Hop acontece no espaço AIJ 3034 do Acampamento da
Juventude, de quinta a domingo, da manhã até a noite e faz parte do
projeto Cidade Hip Hop. Sua programação inclui debates sobre políticas
públicas, drogas e DST/Aids, além de espaço cultural com campeonato de
improviso e oficina de grafite.
O Fórum desse ano foi totalmente organizado por mulheres. Sempre há
pelo menos uma mulher participando das mesas-redondas e apresentações
de crianças e adolescentes na Cidade Hip Hop.
Dez crianças e adolescentes do bairro Valderes, por exemplo, antes
chamado de comunidade Vila dos Tocos, da cidade gaúcha de Sapucaia do
Sul, apresentaram-se na Cidade Hip Hop hoje à tarde. Os meninos e as
meninas fazem parte do projeto Quilombo Urbano, desenvolvido há dois
anos. O grupo busca valorizar a cultura negra.
Coordenado pela professora de Português Juliana Mathias, o projeto
teve início como comemoração da semana da consciência negra na escola
municipal José Plácido de Castro. Durante essa semana, a
história do negro foi resgatada, e até a merenda era comida africana.
"A maioria era de um cardápio popular, que eles já comiam em casa, mas
não sabiam a origem", disse Juliana. A partir daí, ela passou a
trabalhar com dança, coral e capoeira para alunos de quinta a oitava
série.
Segundo Juliana, o projeto busca firmar a auto-estima dos negros, que
costumam sofrer preconceito velado. "Devido à influência européia, o
adolescente e a criança negra ainda é muito discriminado. Então, a
gente procura mostrar o valor que eles têm na construção desse mundo
em que a gente vive", afirmou. Ela contou que, ao contrário do que se
pensa, o Rio Grande do Sul já chegou a abrigar quilombos.
Fábio Fernandes, 16 anos, fez uma apresentação de street dance na
Cidade Hip Hop. Ele aprendeu a dançar sozinho, observando os passos
que via nas festas. Treinava em casa, com a irmã e o amigo Felipe, que
também faz parte do Quilombo Urbano. Fábio disse que participar do
projeto mudou sua postura: "Agora, eu me sinto mais seguro".
O Quilombo Urbano foi aprovado para participar de um Simpósio de
Pedagogia em Cuba. Como não foi liberada verba pela prefeitura de
Sapucaia do Sul, a viagem não foi realizada. Segundo Juliana, a
administração municipal dificulta as atividades do grupo. Por isso,
ele agora ensaia na Casa de Cultura de Esteio, cidade vizinha.