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 Revista Viração e Projeto Agente Jovem (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)

Hip Hop brasileiro é cultura de
resistência

 

27/jan -22h

Mônica Mourão - Agência ViraJovem -  O movimento brasileiro de Hip Hop, existente há 25 anos, aproveitou a oportunidade do V FSM para realizar o II Fórum Nacional de Hip Hop.

Vindo dos Estados Unidos, o Hip Hop apresentou especificidades ao chegar no Brasil. Segundo Carla Xavier, arte-educadora e organizadora do Fórum, enquanto o Hip Hop americano é voltado para o mercado, o brasileiro mostra preocupação social.

Ela conta que o movimeto cobra uma mudança de postura dos grupos que "falam mal" de mulheres ou fazem apologia às drogas, por exemplo.

De acordo com Carla, que tem 30 anos e milita na causa desde os 15, o Hip Hop é uma cultura de resistência, o contemporâneo da luta do povo negro. "Se outro mundo é possível, é preciso discutir também, com a juventude do Hip Hop, política pública para a periferia", disse. Para ela, "o Hip Hop é a liga do abismo. Ele liga o que tem de mais bruto na periferia com essa realidade toda que está aí".

O Fórum de Hip Hop acontece no espaço AIJ 3034 do Acampamento da Juventude, de quinta a domingo, da manhã até a noite e faz parte do projeto Cidade Hip Hop. Sua programação inclui debates sobre políticas públicas, drogas e DST/Aids, além de espaço cultural com campeonato de improviso e oficina de grafite.

O Fórum desse ano foi totalmente organizado por mulheres. Sempre há pelo menos uma mulher participando das mesas-redondas e apresentações de crianças e adolescentes na Cidade Hip Hop.

Dez crianças e adolescentes do bairro Valderes, por exemplo, antes chamado de comunidade Vila dos Tocos, da cidade gaúcha de Sapucaia do Sul, apresentaram-se na Cidade Hip Hop hoje à tarde. Os meninos e as meninas fazem parte do projeto Quilombo Urbano, desenvolvido há dois anos. O grupo busca valorizar a cultura negra.

Coordenado pela professora de Português Juliana Mathias, o projeto teve início como comemoração da semana da consciência negra na escola municipal José Plácido de Castro.  Durante essa semana, a história do negro foi resgatada, e até a merenda era comida africana. "A maioria era de um cardápio popular, que eles já comiam em casa, mas não sabiam a origem", disse Juliana. A partir daí, ela passou a trabalhar com dança, coral e capoeira para alunos de quinta a oitava série.

Segundo Juliana, o projeto busca firmar a auto-estima dos negros, que costumam sofrer preconceito velado. "Devido à influência européia, o adolescente e a criança negra ainda é muito discriminado. Então, a gente procura mostrar o valor que eles têm na construção desse mundo em que a gente vive", afirmou. Ela contou que, ao contrário do que se pensa, o Rio Grande do Sul já chegou a abrigar quilombos.

Fábio Fernandes, 16 anos, fez uma apresentação de street dance na Cidade Hip Hop. Ele aprendeu a dançar sozinho, observando os passos que via nas festas. Treinava em casa, com a irmã e o amigo Felipe, que também faz parte do Quilombo Urbano. Fábio disse que participar do projeto mudou sua postura: "Agora, eu me sinto mais seguro".

O Quilombo Urbano foi aprovado para participar de um Simpósio de Pedagogia em Cuba. Como não foi liberada verba pela prefeitura de Sapucaia do Sul, a viagem não foi realizada. Segundo Juliana, a administração municipal dificulta as atividades do grupo. Por isso, ele agora ensaia na Casa de Cultura de Esteio, cidade vizinha.
 

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Agência ViraJovem de Notícias - Cobertura do V Fórum Social Mundial - Porto Alegre 2005
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