Edson Capoano (jornalista, professor da Universidade Presbiteriana
Mackenzie) - Agência ViraJovem
-
Fazer parte de um evento que reúne mais de 120 países, atrai olhares e
atenções do mundo todo e que ensina tolerância e diversidade racial e
cultural é de empolgar qualquer um, seja militante, jornalista ou
curioso. Talvez essa seja uma das muitas explicações do clima de
alegria do Fórum Social Mundial de 2005.
Da minha parte, esperava encontrar políticos, escritores e cineastas
que admiro e que só aqui estão reunidos. Pelos longos caminhos que
ligam as inúmeras tendas do fórum, meu primeiro alvo foi uma discussão
sobre a Agenda 21, uma espécie de cartilha de intenções que direciona
países, cidades e indivíduos para cuidarem melhor dos recursos
naturais de suas regiões e melhorarem sua qualidade de vida. Esperava
encontrar a grande ministra do Meio Ambiente do Brasil Marina Silva e
o filósofo Fritjof Capra, dois grandes defensores dessas idéias. Mas
eles não estavam lá. Que pena. Fiquei na discussão dos outros membros
da mesa.
A seguir, fui atrás de uma tenda que tratava de uma discussão
religiosa e movimentos sociais. Mas quando cheguei, não havia ninguém
na sala! Esse encontro fora cancelado.
Então, me dirigi a uma palestra do historiador Eric Hobsbawn, no bloco
A do Fórum Social. De uma ponta a outra do evento, questionei minha
professora de Geografia, que falava do frio no Sul do país. Ao ver
africanos e indianos cruzando meu caminho, pareceu-me que estava
caminhando em um deserto, tamanho o calor do meio-dia.
Finalmente cheguei à sala esperada e adivinhem – esse texto está
ficando previsível: a palestra fora trasnferida para a outra ponta do
fórum, justamente onde eu estava! Aí é demais! Sentei-me junto a
outros quase espectadores, que reclamavam em diferentes línguas.
Conversamos, fiz novos amigos e juntos, encontramos tendas bem
interessantes.
E então dei conta de que meus ídolos, esses posso tê-los pertinho de
mim com os livros que escreveram. E que no Fórum Social Mundial o
legal é trocar experiências, conversar, conhecer gente diferente,
achar-se e se perder. Assim como na vida.