Juliana Lanzarini - Agência ViraJovem
-
O ministro da Cultura, Gilberto Gil, foi o primeiro artista brasileiro
a aderir publicamente à licença “Creative Commons”, que já tem um
milhão de obras licenciadas, em pouco mais de um ano de funcionamento.
A licença permite que músicas, textos e imagens sejam copiadas,
recriadas e distribuídas livremente, significando uma verdadeira
revolução no conceito de propriedade intelectual.
O “Creative Commons” foi criado por Lawrence Lessig, professor
de direito da Universidade de Stanford e estudioso de aspectos
legais das tecnologias modernas, especialmente da internet.
Foi ao som de Gilberto Gil que se iniciou o seminário Revolução
Digital: Compartilhamento versus Bloqueio do Conhecimento na
Sociedade da Informação.
Sérgio Amadeu, autoridade máxima do governo brasileiro para
implantação de software livre, que sofreu recentemente processo movido
pela Microsoft, participou da mesa de debates para falar sobre o
assunto.
O rico encontro discutiu as facilidades e vantagens da utilização do
software livre. Amadeu falou sobre a importância das tecnologias de
informação nos dias de hoje e destacou a necessidade de se discutir
novas forma de administrar essas tecnologias. “Vivemos numa sociedade
dos chamados protocolos de informação que utiliza o software como
mediador. O que precisamos é decidir se ela continuará sendo
concentradora de riquezas ou um modelo compartilhado de conhecimento”,
explicou.
De acordo com Amadeu, o ponto fundamental da discussão não é a
gratuidade do software, mas o compartilhamento do conhecimento. “Essa
mudança no controle da informação é capaz de alterar a geopolítica do
poder porque quebra o modelo vigente graças ao monopólio do
conhecimento”, contou.
Amadeu é presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação
(ITI) e um dos maiores defensores do software livre no País. Ele
explicou a diferença entre a pirataria e a utilização do software
livre. “Eu chamo a pirataria de uma rede corsários. Piratear um
programa de uma grande empresa só ajuda a manter o monopólio. Ao invés
disso, as pessoas deveriam adotar o software livre”, disse.
Ele acrescentou ainda que quanto mais plataformas e programas piratas
são usados em residências, mais isso reforça o discurso proprietário
de que existe somente um tipo de programa e que todos querem usá-lo.
Amadeu falou sobre os altos preços de programas como o Corel e o
Photoshop. “Se você entar na casa de qualquer estudante universitário
de classe média, encontrará todos esses programas pirateados.
As empresas preferem que esses grupos tenham programas piratas ao
invés de utilizarem o software livre. Elas esperam que com o tempo e a
evolução financeira desses jovens, eles se tornem consumidores do
produto”, declarou Amadeu.
Segundo o especialista, o software livre também permite que uma série
de jovens capacitados tenham acesso a códigos de programas e possam
ter uma capacitação ainda muito mais avançada.
Participaram do Seminário o Presidente da Free Software Foundation
Europe, George Greve e o articulador de políticas digitais do MinC,
Cláudio Prado, dentre outros.
Entre os dias 1 e 4 de junho acontecerá em Porto Alegre o sexto Fórum
Internacional Software Livre.