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Jovens Mulheres discutem aborto

Camila Galdino
28/04/2008
Cerca de 30 mulheres jovens presentes na I Conferência Nacional de Juventude, discutem a descriminalização e a legalização do Aborto no GT Mulheres Jovens. Segundo Andréia de Brito, o Aborto é uma questão de saúde pública, “devemos lutar não só pela descriminalização e legalização do Aborto, mas principalmente pela melhoria da Educação”.
De acordo com a Federação, o Brasil é responsável por 1 milhão de interrupções de gravidez de forma insegura a cada ano. Estudos revelam que a média brasileira no ano passado foi de 2,07 abortos induzidos por grupo de 100 mulheres. O problema é mais grave na Região Nordeste, onde a taxa é de 2,73, maior que a média nacional. A Região Sul foi a que apresentou a menor taxa, de 1,28 por 100 mulheres. O relatório aponta o Nordeste como uma das regiões de menor poder econômico, onde as mulheres têm menos acesso aos serviços de saúde e que concentra as maiores taxas de analfabetismo, de 18%." A presença marcante de ideologias religiosas na Região Nordeste, nos impede de avançar na discussão sobre o aborto", diz Camila Silveira do Coletivo de Jovens Feministas do Ceará.
Andréa Augusta da Articulação Brasileira de Jovens Feministas afirma que a prática do Aborto na maioria das vezes é recorrente de uma série de condições e situações sociais que atinge a vida das mulheres, em sua maioria, jovens negras e de periferias. ”A gente tem que pensar que o código civil brasileiro penaliza não a ação, mas sim a mulher, quando eu assumo uma posição de ser a favor da legalização e descriminalização do Aborto, eu afirmo que toda e qualquer mulher deve ter o direito de decidir sobre o seu corpo, sem levar em conta a religião, sem levar em conta todas as imposições que o Estado lança sobre nós mulheres”.
Para Eliane Pasini, é fundamental compreender de fato a liberdade sobre os nossos corpos e o significado dos nossos Direitos Sexuais e Reprodutivos. Ela afirma que a discussão sobre o Aborto envolve muito mais que apenas o direito de escolha, a temática perpassa por temas como política, cultura, cidadania e além é claro de ser uma questão de saúde e educação.
Os movimentos juvenis ainda apresentam uma forte resistência em discutir nas suas agendas políticas a legalização e descriminalização do Aborto, alguns grupos e segmentos de juventude ainda enxergam a discussão sobre o Aborto como uma questão pouco importante, ou que não está relacionada diretamente à juventude. Dessa forma, as jovens mulheres presentes na I Conferência Nacional de Juventude encaram a responsabilidade de tornar pública essa discussão, vizibilizando o aborto não só como uma bandeira do movimento feminista, mas também uma demanda do movimento juvenil.
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