Se dentro do espaço da conferência, a diversidade consegue conviver com tolerância e disposição para trocas e aprendizados, essa realidade ainda não é vivida no entorno e nos espaços que muitos jovens estão transitando. São freqüentes os casos de discriminação racial, sexista, regional. Embora os jovens estejam instalados em ambientes confortáveis e de nível de qualidade, o atendimento de muitos hotéis do Plano Piloto de Brasília, ainda não estão preparados para atender pessoas fora do seu “padrão” de cliente: jovens nordestinos, nortistas, negros e negras, gays, lésbicas. Tampouco os condutores de táxi, acostumados a conduzir pessoas das mais diferentes se mostram bastante preconceituosos.
Um dos jovens viveu um caso de agressão verbal e coação pelo segurança do hotel em que estão hospedados dezenas de participantes do evento. O jovem foi chamado de “espécie de pessoa” pelo fato de ser homossexual, além de ser cercado pelos seguranças do hotel, que o intimidaram a qualquer ação.
Já um jovem negro viveu um caso de notório (mas também sutil) racismo, no qual só pode ser atendido de forma eficiente no flat onde está hospedado, quando seu pedido foi intermediado por uma mulher branca.
Outras tantas situações ocorrem, às vezes de forma mais ostensiva, outras de modo mais sutil, reforçando muito do que está sendo discutido dentro da Conferência. Como concretizar uma políticas públicas é um elemento fundamental nesse processo, porém o preconceito perpassa ideologias, entendimento de mundo.
Diante de preconceitos tão arraigados e entranhados na nossa sociedade, não podemos nos calar. É fundamental buscar formas de fazer discutir, pensar e chamar a a atenção para o problema. O preconceito quase sempre está disfarçado, camuflado e submerso na gente, convivendo sem que a gente muitas vezes reconheça que o tem. Daí é fundamental escancarar o problema e lançar uma luz para que ele possa ser refletido, discutido e transformado. Procurar os meios legais, de divulgação e os movimentos atuantes nas esferas de diversidade e direitos humanos é passo essencial da luta de combate às diversas formas de discriminação.
No mais, vamos nós sonhando com a utopia da sociedade inclusiva