Brasília, 03/06/2007 – Ivens Reyner – Agência ViraJovem de Notícias -
Durante as oficinas do sábado à tarde, uma das temáticas discutida foi a de raça e etnia, realizada por um grupo de jovens estudantes da UNB, promovendo um interessante debate de como trabalhar com as diversidades étnicas dentro da escola.
A Agência ViraJovem conversou com Guilherme Neves Pinto, estudante de Geografia da UnB e um dos facilitadores da oficina.
Agência Vira Jovem: Como lidar com o preconceito e os estereótipos criados e utilizados dentro da escola?
Guilherme: Lidar de forma a destruí-los. A nossa intenção como educadores, eu, como futuro educador, a minha intenção é destruí-los, e como a gente destrói isso? A gente destrói isso promovendo o conflito desse tipo de conceito, desse tipo de idéia, com a realidade. Então temos um problema sério, de achar que o conflito é sempre negativo. O conflito de idéias divergentes é o que pode promover o fim dessa “bestialização” que estamos vivendo.
Agência Vira Jovem: Por favor explique um pouco sobre o conceito de raça.
Guilherme: Outro dia saiu uma reportagem no jornal nacional, que falava ora sobre contra cotas e ora falando que todo mundo tem genes, sangue europeu, indígena e negro.
O que eu quero colocar é que o conceito de raça que foi para a política de cotas é um conceito eminentemente social, não como conceito biológico. Se fosse biológico não estaria passando de um racismo, da época de Hitler.
Se raça é usada para discriminar, é bom que ela também seja usada socialmente para colocar todo mundo como igual.
Agência Vira Jovem: O que deve ser feito para que as pessoas se assumam como negros?
Guilherme: É preciso compreender que existe uma ideologia, que é o racismo, que impede que as pessoas se enxerguem se percebam se considerem.
Se tudo que é ligado a negro é negativo eu não vou querer ser negro. Obviamente se as coisas ligadas a negro forem positivas eu vou querer ser negro.
Então o que precisa mudar em primeiro lugar é a base ideológica que é o racismo, a gente precisa trabalhar em meios para combater e superar esse mal da sociedade e a partir daí a gente pode pensar em auto-classificação dessas pessoas que são negras como negras e aí a coisa vai ser diferente.