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ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA
Nenhuma casa está à venda

Gabriel Soares, 17 anos (Fotos: Maíra
Soares) -
PAPOPAN* / Agência ViraJovem de Notícias -
21/08/2007 - 10h30 - Moradores do Canal do Anil, comunidade
vizinha à Vila Pan-Americana, são ameaçados pela prefeitura que deseja sua
remoção. O líder comunitário afirma estar dentro das normas estabelecidas
pela mesma e diz que ela não reconhece o bairro apesar de ter financiado
projetos sociais e custeado o posto de saúde.
Cerca de 540 famílias vivem hoje no Canal do Anil que, segundo o líder
comunitário, existe há mais de 60 anos e teve inicio com um grupo de
pescadores que exerciam ali suas atividades.
Moradores
asseguram que a prefeitura não quer o bem da comunidade, sua verdadeira
intenção é a especulação imobiliária. A comunidade tem feito manifestações
pacificas e entrou com uma liminar na justiça que os assegura (em tese)
contra qualquer ação da prefeitura. “Tenho certeza que resistiremos, vamos
conseguir!”, diz Francisco dos Santos.
PAPOPAN Parapan: Quando a prefeitura começou a
manifestar interesse na remoção de parte da comunidade? Como foi?
Francisco dos Santos: Em 17 de fevereiro. Eles não fizeram
nenhuma comunicação com a liderança, vieram diretamente nas residências e
começaram a demarcá-las dizendo que estava saindo uma verba do governo
federal, e que a demolição era para melhorar a comunidade.
PAPOPAN Parapan: Há quanto tempo a comunidade
existe?
FS: A comunidade está aqui há 60 anos, comprovado na Justiça com
todas as documentações dos moradores antigos, com filhos nascidos e criados
aqui. Começou com um grupo de pescadores, e foi crescendo a partir daí. Hoje
temos uma associação de pescadores dentro da comunidade, os pescadores foram
trazendo seus familiares,
fazendo um aterro, pedindo um medidor de luz,
colocando água...Essa existência é antiga.
PAPOPAN Parapan: Como está o andamento do caso
perante a Justiça?
FS: Estamos com uma liminar, foi determinado que a prefeitura não
tinha o direito de demolir nenhuma residência. Na realidade a prefeitura
quer remover a comunidade usando essa verba que veio do governo federal para
melhorar e acabou usando para in denizar as pessoas de uma forma cruel e
bruta, até ameaças foram feitas aos moradores, “ou você vende sua casa ou
vamos passar a máquina por cima, caso venha perder na justiça”, então isso é
uma ameaça, né?
PAPOPAN Parapan: Qual o valor da indenização
oferecida pela prefeitura?
FS: O valor varia muito, de 3 mil a 15 mil. Como alguém pode
morar em outro lugar com tão pouco? Já chegaram a demolir casas sem
indenizar o morador, que agora não tem pra onde ir.
PAPOPAN Parapan: Para que a prefeitura quer a
remoção da comunidade?
FS: Eles querem deixar a área livre, alegam que a comunidade é
uma poluição visual, mas há o interesse de empresários pela especulação
imobiliária, que querem construir condomínios de luxo. A prefeitura diz que
desconhece a comunidade, mas como? Temos o Posto de Saúde, o programa Gari
Comunitário e os Guardiões do Rio, todos bancados pela prefeitura, e agora
ela diz não nos conhecer. O que a gente precisa é de melhoria e não de
remoção!
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Maria e Margarida, irmãs surdas,
moradoras da favela |
Alegaram também que estávamos em área de risco. A lei municipal estipula um
espaço de 35 metros entre a margem do rio e as construções. Nós estamos
dentro dessa lei, já foi provado que não estamos dentro de uma área de
risco, nós temos um laudo provando isso. Não estamos em nenhuma área de
proteção ambiental, então só restou à especulação imobiliária, é o que
achamos e o que realmente é a causa do problema.
A Barra da Tijuca está sufocada, não tem mais pra onde ir, então eles estão
querendo crescer pro lado de cá. Ninguém nunca reclamou! Agora que a
comunidade está com uma área nobre ao redor, eles querem nos remover com
essa facilidade. Não vão nos tirar daqui, não vamos sair!
PAPOPAN Parapan: São quantos moradores na
comunidade?
FS: 15 mil moradores em média, está cadastrado pela prefeitura
538 residências. O início do projeto deles era de retirar 200 famílias,
cerca de 1000 pessoas, mas não conseguiram graças à resistência da
comunidade. Mesmo com todo o poder judicial, defensoria pública e alguns
políticos, conseguimos resistir.
PAPOPAN Parapan: Vocês se manifestaram de alguma
outra forma?
FS: Fizemos passeatas, várias manifestações sempre pacíficas,
acionamos o batalhão da área para fazer a segurança, a nossa também.
Graças a Deus a comunidade é bem comportada e mobilizada pela causa.
PAPOPAN Parapan: Durante o Pan-Americano a
comunidade tem tido problemas com a prefeitura?
FS: Durante não, mas depois dos jogos Pan-Americanos eles
resolveram vir com força por que até aí eles tinham medo que fôssemos para
as ruas fazer manifestações contra eles no período dos jogos.
PAPOPAN Parapan: O que eles fizeram?
FS: Eles vieram com a guarda municipal no primeiro dia, já no
segundo dia com toda a batalha. Mas com todos os parlamentares do nosso
lado, junto com os políticos e o Ministério Público, eles resolveram recuar,
e disseram no dia seguinte que estavam ali para defender a comunidade.
PAPOPAN Parapan: E agora, quais são as
perspectivas?
FS: É de permanecer, é de ficar e ver no que vai dar. Tenho
certeza que resistiremos, vamos conseguir! A prefeitura quer comprar as
casas? Para infelicidade dela nenhuma esta à venda!
*PAPOPAN = Projeto
Autenticamente Protagonizado e Organizado Por
Adolescentes e jovens iNovadores
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