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Jaqueline Morais, de 21 anos (foto: Amanda Santos, de 17 anos) - PAPOPAN* / Agência ViraJovem de Notícias - 28/08/2007 - 7h00 - A galera do PAPOPAN* Parapan esteve nesta sexta-feira, 17 de agosto, no Estádio João Havelange, para cobrir a competição de atletismo. Foi emocionante ver o estádio cheio, pessoas de todas as idades, muita animação e apoio aos atletas brasileiros.

O PAPOPAN* Parapan conversou alguns jovens, atletas, e também com Bárbara Kirchner, que é presidente da ONG 3IN (Inclusão, Integridade e Independência), que trabalha na inclusão de pessoas com deficiência no esporte adaptado, na cultura e no lazer.


Bárbara Kirchner


Como é feita a classificação para os jogos Parapan?

A classificação para o Parapan é feita como para qualquer atleta, pois o atleta precisa de alguns pontos compativéis para fazer parte da seleção, o que implica em uma série de fatores de campeonatos brasileiros e internacionais. São essas competições que permitem a classificação para ser um atleta da seleção brasileira e, conseqüentemente, competir no Parapan.

Os atletas da 3IN se classificaram para a Paraolimpíada de Pequim?

Por enquanto só temos certeza de um atleta, o Iranildo Espíndola, atleta tetraplégico que está competindo no tênis de mesa. Quarta ele se classificou com medalha de ouro. (até o fechamento da matéria, Yohanson do Nascimento também tinha sido classificado).

O fato de um atleta não ter os membros superiores impede que ele tenha condições de competir com um atleta sem deficiência?

Os paratletas estão sempre se superando. Existe um campeonato promovido pela Cedef (Centro para Integração Esportiva do Deficiente Físico) que se chama Somos Todos Iguais, no qual os atletas com e sem deficiência entram juntos na piscina para competir entre si. Isso não quer dizer absolutamente nada, mas dentro da piscina ou das quadras sempre existem atletas com vários tipos de deficiência.

E no caso do Yohanson?

O Yohanson não tem as duas mãos. É lógico que um atleta que tem as duas mãos tem muito mais mobilidade, pois o fator vento e outras coisas ajudam a impulsionar. É óbvio, que assim como na água, no atletismo as mãos também fazem parte de um conjunto de membros que fazem com que o atleta consiga ter mais mobilidade. Mas isso não significa que ele não possa ter a mesma condição de um atleta sem deficiência.

Você acredita que futuramente o Pan e o Parapan possam acontecer ao mesmo tempo e no mesmo lugar?

É a primeira vez que o Parapan é feito nas mesmas instalações do Parapan, mas o ideal seria que os jogos acontecessem junto com os do Pan, porque essa divisão não deixa de ser uma discriminação. Seria maravilhoso que o público que participou do Pan estivesse vendo esses nossos atletas que superam muito mais do que eles até, que são atletas que têm patrocínios enormes. Nós temos atletas aqui que não tem comida para comer em seus estados, que não têm patrocínio, que participam de grandes eventos mundiais sem patrocínio nenhum. Na minha opinião, eles têm muito mais relevância dentro do esporte que um atleta dito “normal”.

Você acha que a mídia tem influência nisso?

Com certeza absoluta ela influencia. Aqui no Rio, a Prefeitura liberou os alunos das escolas municipais para que eles pudessem assistir aos jogos durante a semana. Mas a mídia é uma influência muito maior que a prefeitura. No Pan, a mídia esteve muito mais presente. O Parapan só começou a ser citado na mídia domingo, que foi o dia da abertura. É uma questão de briga de emissoras mesmo. A própria Rede Globo não conseguiu autorização para transmitir o Parapan, que ficou com a Record, então no dia da abertura eles colocaram no ar o Criança Esperança, que por 20 anos sempre foi feito no mês de outubro e nesse ano foi antecipado.
Isso não é só uma discriminacao, é uma falta de compreensão, de ética, de humanidade. E uma falta de saber que a questão núemor um dos direitos humanos é o ser humano.

O que leva um atleta com deficiência a buscar o esporte?

O esporte adaptado foi uma das melhores coisas que aconteceram para as pessoas com deficiência, porque o esporte faz bem pra todo mundo, mas o que leva o atleta a buscar o esperte é ele buscar essa superação dele e mostrar para as pessoas que ele é capaz de fazer as mesmas coisas que qualquer outra pessoa faz. Isso hoje está mais do que provado, com esse quadro de medalhas de ouro e outras medalhas que o Brasil conquistou. O Clodoaldo Silva já bateu cinco recordes mundiais e já conseguiu várias medalhas de ouro. Além de uma superação, isso leva a questão da pessoa com deficiência para o mundo.
Mas o que precisamos prestar atenção é que as escolas estão inserindo o esporte adaptado para seus alunos desde pequenos, o que é fundamental, pois assim as crianças aprendem a conviver com outras crianças que têm deficiência, o que talvez não aconteça na casa delas, no lugar onde elas vivem. E essa interação coloca as pessoas com deficiência em destaque.


Yohanson do Nascimento Ferreira, 19 anos, é alagoano e começou a correr há dois anos. O atleta brilhou muito no Parapan, conquistou 3 medalhas de ouro (100, 200 e 400m, na classe T46) e se classificou para Pequim.

 

Como você está se sentindo hoje, que você bateu o recorde?

Eu me sinto com o sentimento de dever cumprido. Amanhã eu ainda tenho a prova semifinal de 400m, que não sei como vai ser. As duas provas nas quais eu participei já foram muito duras e muito puxadas para mim. Eu espero que pelo menos eu me classifique para correr na final do domingo.

Você se sente preparado para competir com pessoas sem deficiência?

Com certeza. Lá no meu estado (Alagoas), todas as competições são para pessoas sem deficiência e eu estou no mesmo nível, ganho medalhas, eles ganham de mim.

Não faz diferença? A falta das mãos não atrapalha?

Não faz diferença nenhuma. Eles têm pernas e eu tenho também. A falta das mãos influencia muito, mas não deixo a deficiência ser uma limitação para mim. Porque eu tenho uma deficiência não quer dizer que eu não possa ganhar deles.



André Luiz de Oliveira, 34 anos, atleta

Como você começou a ser para-atleta?

Eu já era atleta antes. Em 1997, eu sofri um acidente e fiquei oito anos parado, fuquei na arbitragem. Em 2004, durante uma competição paraolímpica, um atleta chamado Paulo Almeida viu minhas cicatrizes na perna e perguntou o que tinha acontecido. Depois que eu expliquei para ele, o Paulo me disse que eu era um atleta paraolímpico. Desse dia em diante eu fui atrás de informações saber como eu poderia ser classificado e comecei a competir em 2005.

Qual é o seu maior sonho?

Em 2006, eu coloquei na cabeça que queria competir no Parapan. Esse era o meu sonho, mas o ser humano sempre quer algo a mais e agora eu quero ir pra Pequim.

No ano passado você bateu o recorde sulamericano. Qual foi sua sensação?

Na verdade eu não sabia. Depois de um longo tempo me disseram que era o recorde sulamericano.

Amanhã você vai disputar pelo ouro. Já está preparado?

Estou sim. O atleta tem que procurar sempre primeiro superar a própria marca e é isso que eu quero. O resultado final disso é conseqüência, se vai dar ouro, bronze ou prata. Primeiro você tem que sair da pista sabendo que deu o melhor de si. Eu quero sair da pista como eu saí na terça, quando eu competi com atletas muito bons. Não recebi ouro, mas fiquei satisfeito, pois dei o melhor de mim e melhorei minha marca.


Isabel Cristina Paulo Silva, 19 anos

O que você está achando do Parapan?

Estou achando muito bom e interessante porque está oportunidade para pessoas que têm limitações. Eu me considero uma pessoa que tem uma deficiência e eu acredito que os atletas estejam lutando pelos seus direitos. Por isso eu acho que o evento é muito importante, apesar de não estar sendo tão valorizado quanto o Pan. O Pan teve muita divulgação, passou em todas as emissoras de televisão e o Parapan não. Eu acho isso errado, porque se eles deram atenção para os atletas sem dificuldade, deveriam valorizar mais os atletas com necessidades especiais.

Você já tinha visto uma competição com para atletas?

Nunca. Meu professor de educação física e a escola que deram oportunidade para que nós viéssemos para o Parapan prestigiar os atletas. E eles precisam desse apoio, porque eles não estão sendo tão apoiados quanto os atletas do Pan. A gente vê que aqui tem muito menos público que no Pan.

O que você está achando das competições e que esporte mais te chamou a atenção?

Maravilhosa. Do mesmo jeito que o Brasil fez bonito no Pan ele também está fazendo muito bonito no Parapan. Eu gostei do vôlei e do basquete.

 
 

*PAPOPAN = Projeto Autenticamente Protagonizado e Organizado Por Adolescentes e jovens iNovadores
 

 

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Agência ViraJovem de Notícias - Cobertura dos Jogos Panamericanos - Rio de Janeiro 2007
As matérias são de livre reprodução, desde que citada a fonte


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